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O TAO DA CURA (EDITORIA GROUND, SAO POAOLO, 2002)
TAO TRAINING (EXISTE SOMENTE EM ÃLEMAO & SOLO A ENCOMENDAR POR ACHIM ECKERT)
O TAO DA ACUPRESAO E DA ACUPRESURA (EXISTE SOMENTE EM ÃLEMAO, EDITORIA HAUG, 2009)


CURRICULUM

Dr. med. ACHIM ECKERT
* doutor em medicina e filosofia, nasceu em Baden, perto de Viena, e é escritor e pesquisador no campo da medicina chinesa. Dirige seminários e cursos sobre integração postural (trabalho corporal estrutural) e medicina chinesa, principalmente sobre massagem dos meridianos e sobre os Oito Tesouros do Taoísmo.

* Da união entre shiatsu, massagem dos tecidos conectivos e o trabalho corporal de Reich, desenvolveu uma forma de massagem dos meridianos que atende às necessidades de nossos dias e representa uma união de Ocidente e Oriente, de Nova Era e tradição chinesa.

* A maioria das pessoas tem um sistema pessoal de valores. O autor descobriu o sistema dos Cinco Elementos entre 1978 e 1981, quando estava na ásia, e o manteve desde então como visão pragmática do mundo, já que permite contatar entre si, de maneira palpável e elegante, os fenômenos materiais, mentais e energéticos das diversas realidades vitais.

* Nos últimos anos, dedicou-se a um projeto de pesquisa sobre os 361 pontos clássicos dos meridianos em seu espectro de reação mental, emocional e energética, na digitopressura e na acupuntura. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em 1996 em A Tao da Acupresao e da Acupunctura, e em 1997 em Tafeln der Traditionellen Chinesischen Medizin.

   
CAMINO PESSOAL Quando comecei a estudar medicina, a principal motivação era saber algo sobre o funcionamento de meu corpo e sobre a cooperação entre corpo, intelecto e emoções. Em termos de interesse básico, gostaria de estudar uma combinação entre filosofia e psicologia, mas, segundo meus critérios, achava, na época, as duas carreiras demasiado teóricas e distantes de uma sabedoria vital prática para que pudessem me ajudar a aumentar minha consciência corporal e meu bem-estar. Com a medicina, adquiri ao menos conhecimentos sobre uma realidade que existe de fato e é empiricamente demonstrável. Anatomia e psicologia são a base de nossa vida: sem fígado, coração e estômago, simplesmente o corpo não funciona. Mas os conceitos teóricos da filosofia e o acesso à psicologia demasiadamente racional me pareciam prescindíveis para o entendimento da correlação profunda entre corpo e espírito e para meu destino pessoal.

Depois de três anos de curso na Universidade de Viena, senti que faltava algo essencial na formação de um médico ocidental: o treino dos sentidos e a expansão e aprofundamento da consciência corporal relacionados a esse treino. O conhecimento da medicina fica reduzido a um campo mental que não tinha influência sobre minha forma de sentir e de ser.

Nessa época, aprendi tai chi com um velho mestre chinês chamado Gia-Fu Feng. Foi ele o primeiro a me familiarizar com o conceito chinês de chi, a energia vital. O tai chi, embora seja bastante conhecido, é uma arte marcial cuja eficácia não consiste em velocidade e dureza, e sim no domínio e concentração do chi. É chamado também de "meditação em movimento", que muitas pessoas praticam na China durante horas, como ginástica para manter a saúde. Durante esses anos participei regularmente de workshops sobre bioenergética, uma psicoterapia com orientação corporal, que teve início com o norte-americano Alexander Lowen e depois foi desenvolvida por Wilhelm Reich em sua vegetoterapia e análise do caráter. Minha terapeuta bioenergética esclareceu de que maneira se pode descobrir a energia do orgônio – a energia vital que Wilhelm Reich descobriu em seus experimentos médicos – e aumentá-la e liberá-la com certos exercícios.

Minha busca me levou a um iogue. Nas aulas de hatha e raja ioga, tomei conhecimento do prana, conceito indiano de energia vital.

Tanto os exercícios bioenergéticos quanto o tai chi e o pranayama, a respiração iogue, tiveram basicamente a mesma influência sobre mim: depois de haver praticado um método após outro, sentia-me mais leve, com mais clareza, mais centrado e cheio de um sentimento profundo de felicidade.

Fui à índia para saber mais a respeito desses sentimentos profundos de felicidade e sobre a abertura externa e interna de minha faculdade perceptiva, que experimentei durante os exercícios e na meditação. Quis aprender mais sobre a forma de chegar a esses estados, ou de mantê-los durante mais tempo, estados nos quais se percebem cores intensamente luminosas, os perfumes e odores se intensificam e os sons têm muita clareza e pureza; estados nos quais ficamos tão centrados que vemos os pensamentos virem e marcharem como nuvenzinhas brancas num dia de azul infinito. Vivi um ano e meio no ashram do Bhagwan Shree Rajneesh, em Puna. Todos os dias participava da leitura matinal e pratiquei sua meditação. Vivi numa cabana de bambu à beira do rio, entre as famílias da índia, vacas, búfalos e outros sannyasins – o nome dado aos discípulos de um mestre, os quais seguem o caminho de uma iniciação que leva à iluminação da consciência.

Essa época mudou profundamente o meu ser. Desde então consegui sair relativamente depressa das turbulências da vida cotidiana e das fases tempestuosas da vida e voltar à fonte, onde habita a felicidade profunda de viver.

A imprensa ocidental afirmou que o Rajneesh Ashram de Puna era uma seita escandalosa. Divertimo-nos muito ao saber que, para os jornais Stern e Spiegel, éramos escravos de um sistema explorador e nos encontrávamos numa espécie de hipnose contínua na qual vegetávamos sem vontade própria numa dependência total. Perguntamo-nos, isso sim, se não era o pessoal da redação e a maioria de seus leitores os escravos do trabalho em um sistema de consumo que lhes faz lavagem cerebral com uma suposta liberdade pessoal, e se não são eles que projetam seu estresse, sua infelicidade e sua dependência de obrigações econômicas em nós. Na realidade, passamos uma época maravilhosa, cheia de vontade de viver, e eu sentia que era uma grande sorte para mim poder viver nesse ashram na índia e entre seus habitantes cuja relação consigo mesmos e com os outros estava impregnada de respeito, graça e amor.

Depois de alguns meses na então turística República das Maldivas, onde vivi como o único branco de Himaa Fuschi, uma ilhota do atol de Malé, e com os aborígenes, cheguei ao Sri Lanka. O antigo Ceilão está desligado da beleza de sua paisagem, cheio de rubis e safiras e de uma quantidade incalculável de pedras semipreciosas. Ali, com a ajuda de um inglês, cuja família se dedicava à fabricação de máquinas para polir e que desde a infância lidava com pedras preciosas autênticas e falsas, entrei durante uma temporada no negócio de pedras preciosas. Uma bela tarde, enquanto desfrutava de um pouco de sol na praia de Mount Lavinia, um povoado ao sul de Colombo, conheci três médicos alemães que tinham ido a Sri Lando aprender acupuntura. Apresentaram-me a seu professor, sir Anton Jayasuriya, que dirigia a clínica de acupuntura no Colombo South Hospital em Dehiwala.

Eu tinha aprendido shiatsu em Puna, mas conhecia pouco de acupuntura. Quando o professor Jayasuriya me perguntou se queria aprender a medicina chinesa com ele, compreendi que estava diante de uma grande oportunidade. Durante mais de um ano trabalhei nessa clínica subvencionada pelo Estado, já que os pacientes não tinham seguro-saúde nem tinham como financiar seu tratamento. Junto com a psicoterapia tínhamos uma sala grande à disposição das 8 às 13 horas. Nesse período, atendíamos diariamente entre 500 e 700 pacientes. Vinham de toda a ilha, em geral como último recurso, quando a medicina ocidental e os "Dançarinos do Diabo" de seus povoados, com seu exorcismo e suas conjurações, não tinham tido êxito no tratamento de suas doenças. Durante essa época, vi e tratei pacientes com muitas enfermidades diferentes, em estado bastante avançado, mais do que em geral vemos no Ocidente, devido à demora em iniciar o tratamento e ao quadro clínico. Havia muitos casos de asma brônquica e epilepsia, paralisia parcial depois de um ataque apoplético, erupções cutâneas, eczemas, otite média, cataratas e pressão alta, úlceras e, evidentemente, também doenças tropicais como elefantíase e paralisia depois de uma mordida de cobra. Nessa época havia uma equipe de apenas cinco médicos e, por isso, foi possível acumular muita experiência prática de diagnóstico, moxa e acupuntura.

Logo no primeiro dia me dei conta de que ali se aprendia de forma diferente daquela do Ocidente. O professor Jasuriya pôs uma agulha no ponto de acupuntura IG11 (intestino grosso) de um paciente, que se localiza na prega do cotovelo, quando o braço está em ângulo. Quando se dispôs a atender o próximo paciente, pediu-me para colocar uma agulha no mesmo ponto. Foi assim que comecei a praticar a acupuntura, antes de ter um conhecimento teórico a respeito. Nas semanas e meses seguintes, aprendi moxa e acupuntura primeiro de um ponto de vista puramente prático e empírico. Na situação em que estava, com tantos doentes e tão poucos acupunturistas, aprendi a confiar em meu instinto e a desenvolver uma intuição que encontra rapidamente os pontos certos. Aprendi mais com meu hara do que com o intelecto.

Durante todos esses anos, houve poucos alunos na clínica. Os médicos alemães tinham voltado a seus hospitais e, durante alguns meses, havia, além de mim, só dois franceses e um médico de Melbourne. Alugamos uma casa na praia e, durante nossas horas de folga, fazíamos experiências com digitopuntura e acupuntura uns nos outros. Dei-me conta de que as agulhas não aumentavam somente o bem-estar corporal, mas também tinham influência sobre os sentimentos e as emoções, e me levaram passo a passo a estados de consciência desconhecidos: ampliaram minhas faculdades sensoriais, sobretudo os sentidos corporais de audição e visão, e meus sonhos ficaram mais nítidos e coloridos. Minha mente se acalmava, o que me permitia dedicar horas à meditação.

Depois de uma breve estada na Europa, voltei a Puna, onde se oferecia um curso sobre "Os Cinco Elementos, acupuntura e medicina chinesa tradicional" na Rajneesh International Meditation University. Os professores desse curso vinham de países diferentes como Inglaterra, Estados Unidos (Califórnia), Dinamarca, Brasil e Pérsia. Eram sannyasins que haviam aprendido a medicina chinesa com mestres muito diferentes, mas tinham um ponto em comum: meditavam e praticavam a medicina chinesa num sentido pleno e tradicional, quer dizer, no sentido taoísta, que inclui, além do uso de ervas e aplicação de acupuntura, também exercícios de respiração, tai chi, qi gong (chi kun), alimentação de acordo com os Cinco Elementos e meditação. Essa forma da medicina chinesa tradicional se diferencia muito essencialmente da medicina praticada hoje na China, que se converteu nos últimos anos em artigo de exportação que adota certa atitude "tradicional".

Enquanto trabalhava na clínica de acupuntura em Colombo, perguntava-me por que notava em alguns pacientes uma melhora imediata e fulminante com a moxa e a acupuntura, enquanto outros mostravam pouca ou nenhuma reação ao tratamento com as agulhas. Observei que as pessoas que realizavam trabalho físico em geral respondiam melhor ao tratamento que aquelas que se movimentavam pouco. Quando faz movimento suficiente, o corpo se mantém flexível e a circulação é boa e, com isso, a eliminação de impurezas dos tecidos melhora; por conseguinte, os músculos e os tecidos conectivos ficam mais permeáveis para o fluir do chi. Nos livros de acupuntura que me caíram nas mãos nessas época, não havia nenhuma declaração precisa sobre o trajeto anatômico dos meridianos. Os meridianos eram simplesmente desenhados sobre a superfície do corpo, mas faltavam as indicações sobre sua profundidade. Comecei a imaginar os meridianos como um sistema de espaços ocos, cujos canais minúsculos encontravam-se sobretudo no tecido conectivo solto, entre os diversos músculos e grupos de músculos e ao longo dos vasos sangüíneos maiores e dos nervos. Ocorreu-me a idéia de favorecer a permeabilidade dos músculos e tecidos conetivos com massagem e trabalho físico, coisa que, se fosse possível, favoreceria a reação aos tratamentos com acupuntura.

Alguns anos mais tarde minha hipótese foi confirmada. Através de um amigo em Paris, conheci Jack Painter. Partindo do rolfing e da vegetoterapia de Wilhelm Reich, ele criou a integração postural, um método de massagens estruturais dos tecidos conectivos, ou trabalho corporal profundo, que possibilita desfazer tensões profundas e bloqueios energéticos e corrigir posturas viciadas, como pernas de vaqueiro ou em X, costas encurvadas e lordose. Quando se ofereceu para me ensinar mais sobre a estrutura do tecido conectivo e sobre as fibras musculares, fui com ele para a Califórnia e comecei um curso de integração postural.

Com o tempo, cristalizou-se como processo ideal dar ao cliente – aqui se fala de cliente, e não de paciente, porque os métodos modernos de trabalho corporal exigem participação e colaboração ativa – primeiro dez ou mais sessões de integração postural para suavizar as tensões muito arraigadas no corpo. Também se desfazem certos bloqueios dos meridianos, e o corpo fica mais permeável para que o chi possa voltar a fluir livremente. Em seguida começo meu diagnóstico chinês segundo os Cinco Elementos, com o qual posso, sobretudo sentindo os doze pulsos, e com a ajuda de um questionário minucioso sobre os diversos sintomas de calor e frio, averigüar se os doze órgãos estão cheios ou vazios. O desnível de energia entre os órgãos internos equilibra-se em primeiro lugar com uma massagem dos meridianos, e só depois os sintomas de enfermidades crônicas são tratados com moxa e acupuntura.

O resultado é que é necessário fazer um número muito menor de sessões de acupuntura quando o tecido já foi tratado com trabalho físico e fica mais permeável para o fluir da energia vital. Muitos dos sintomas desaparecem até mesmo antes das sessões, enquanto o cliente está sendo tratado com integração postural e massagem dos meridianos. Só depois de tomar o pulso, se houver chi suficiente nos doze meridianos, começo a aplicar acupuntura, um método que ajuda a guiar a energia vital para as partes do corpo ou da mente onde ela é necessária, mas que só dá bons resultados quando há chi suficiente, e quando ele flui. Ë parte isso, a acupuntura não é utilizada somente para tratar doenças, mas também para aclarar as emoções e atitudes mentais e promover as faculdades intelectuais.

Desde então, passaram-se muitos anos e tomei conhecimento de outros sistemas filosóficos e médicos, mas apesar de tudo os princípios dos Cinco Elementos continuaram sendo meu modelo favorito para relacionar os diversos fenômenos da realidade e compreender sua reação sobre os outros. A principal razão disso é a relação entre o mundo material e espiritual, que flui sem esforço, já que são unidos pela mesma raiz. Como a cultura ocidental não tem um denominador comum de compreensão da medicina, psicologia, ciências naturais e religião, estou contente por haver conhecido e assimilado uma visão de mundo que me permite unir, perceber e compreender o funcionamento dos órgãos em nível físico e sua interação com sentimentos específicos, emoções, faculdades mentais e processos genéticos. Como os ensinamentos do Tao e dos Cinco Elementos representam uma visão global do mundo, transmito-os em seminários e escrevi este livro.




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